quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Modernidade líquida


"Nada do que foi será do mesmo jeito que já foi um dia..."

Caros amigos, desde muito tempo eu venho sentindo que algo está errado no mundo, alguma coisa fora do lugar. Certo dia, em uma aula de psicologia jurídica um aluno me perguntou: "Professor, o que é modernidade líquida?" Naquele momento respondi que não conhecia o termo, mas que iria pesquisar e na próxima aula traria o resultado.

Eu iniciei minha pesquisa e descobri o sociologo Zygmunt Bauman, autor do termo "Modernidade líquida".

Ele começa explicando que a Modernidade, iniciada com os ideais de Liberdade, Fraternidade e Igualdade da Revolução Francesa, acabou desembocando em fases. A mais recente dela, que teria começado por volta dos anos 1960-1970, Bauman chama de "modernidade líquida", pois apresenta como características:  

- derretimento de instituições sólidas (a família tradicional, formada por pai-mãe-filhos, dando cada vez mais lugar a outros modelos, por conta do aumento de divórcios, p.e.);

- fluidez das relações sociais (que Bauman prefere chamar de "conexões", pois muitas vezes as pessoas não se relacionam de verdade, apesar de estarem muito conectadas em inúmeras outras).

Até 1950, p.e., cada homem e mulher tinha um roteiro bem definido de tarefas, um checklist para sua vida:

    "Olha só a felicidade da vida de gado".
  • Estudar;
  • Trabalhar;
  • Casar;
  • Cuidar dos Filhos;
  • Ir a igreja;
  • Pagar impostos;
  • Morrer em paz,



No “antigo” mundo sólido reinava o autoritarismo, a firmeza e a disciplina.
  
Na Modernidade Líquida, (de 1960-70 para cá), não há mais roteiro fixo, pois a sociedade foi desregulamentada no âmbito da vida civil. As instituições se tornaram fluídas. P.e., a Igreja deu lugar a um sem-número de seitas, denominações, renovações, etc.


A família, de modelo único, deu lugar a pluralidade de modelos. Isso sem contar nas mudanças da relação do indivíduo com o mundo do trabalho, e com o Estado. (De um modo geral, todas as instituições se tornaram mais líquidas: fluídas, mutáveis e múltiplas).  

As relações amorosas deixam de ser tão duradouras e tendem a ser mais descartáveis e flexíveis.

Ela, você e seu amigo.















Na minha opinião, no que diz respeito à necessidade (extrema) dos indivíduos desta Modernidade Liquida e Hipermordeninade obterem prazer e satisfazerem os seus desejos, assistimos nos dias de hoje a uma possível inversão da pirâmide de Maslow.

Inversão da pirâmide das motivações humanas.

Tendo como base a percepção de que as necessidades fisiológicas (mais básicas) já estão satisfeitas, procuramos constantemente a realização pessoal, deste modo, o indivíduo (self) visa a satisfação como objectivo primordial.
 
Claro que a Modernidade Líquida é uma tendência, e como tal, gera contra-tendências. Daí a ascensão dos assim chamado neo-conservadores, como os radicais mulçumanos, e os republicanos nos EUA. Mas o jogo social é assim mesmo, cheio de ondas, idas e vindas, acima de tudo, mudanças.  
 






2 comentários:

  1. Gostei de saber sobre essa modernidade, afinal de que servem os valores?! se não para se perderem perante o passar do tempo! uma dica a todos que a cada dia que passa estão perdendo o melhor sentido de viver...

    ResponderExcluir
  2. gleyselima@hotmail.com23 de setembro de 2011 às 13:38

    Acredito que a sociedade atual está vivendo um periodo de crise geral, e a modernidade liquida faz parte desse momento, não é a pior e nem a melhor fase, mais pelo menos de certa forma estamos mais livres para fazermos nossas escolhas.

    Gleyse

    ResponderExcluir