![]() |
| Série de TV Scrubs: mostra de forma bem interessante as relações de poder no hospital |
Todo mundo já passou por algum local de trabalho onde as relações interpessoais estavam abaladas de alguma maneira.
De forma geral, em um local de trabalho, existem diferentes formações de subjetividade, cultura institucional e história da formação da personalidade de cada trabalhador, gerente e big boss. Sentimentos de aversão ou de simpatia surgem no dia a dia de trabalho. Entretanto, tenho observado nas diversas instituições que trabalhei, pessoas infantilizadas nas suas relações com colegas de trabalho, com dificuldade de aceitar críticas, crises de liderança e tudo isso sempre remetido aquele conceito de que as pessoas no seu local de trabalho são uma família.
![]() |
| Olha só que aparente segurança apresenta esse cara, mas na verdade... |
Nada mais desastroso para relações profissionais em uma instituição do que se intitular o grupo de trabalho como uma família. Freud, no artigo recordar, repetir e elaborar de 1914 já escrevia sobre as repetições de situações da infância no mundo adulto. Existem pessoas que cresceram biologicamente, porém, emocionalmente encontram-se barradas lá na infância, compulsivamente repetindo situações de sua vida, entretanto, sem possibilidade de elaborar tal situação, daí a dificuldade de vivenciar situações potencializadoras de sua neurose de base.
![]() |
| ...ele só quer a mamãe. |
Essa neurose coletiva que somos obrigados a vivenciar nas instituições, potencializa o lado pacional versus o lado profissional. Pessoas deixam de trabalhar em conjunto, fervilham jogos de poder e política, que nada mais representam do que a repetição histórica da grande frustração coletiva da vida em sociedade civilizada: O modelo de família colonial do século XIX. Que apesar da revolução sexual dos anos 60, ainda está presente no ideário do amazonense. As relações tem que parecer sérias, mas não são. É uma grande simulação que por trás das portas fechadas tudo pode acontecer. Uma verdadeira ilha da fantasia. (nossa isso é velho hein?)
As tecnologias se modificam diariamente, porém as relações humanas não. É necessário tempo para que isso ocorra. Assim, como ainda vivemos um atraso em tudo aqui no Amazonas e no Brasil, as relações interpessoais ainda remetem a estrutura colonial da casa grande e a senzala, daquilo que é para inglês ver, da grande comédia do faz de conta. Quando as pessoas de uma instituição deslocam estes sentimentos infantis, presentes em todos nós, de forma neurótica tende a ocorrer na fatalidade do desencontro.
O local de trabalho começa a se tornar uma grande problemática, as pessoas criativas sentem-se perseguidas, outros tornam-se big brothers controladores tentando em vão por ordem ao caos estabelecido e não percebem que fazem parte da problemática que buscam em vão sanar.
O processo de modificação de paradigma é micropolítico.
As pessoas só podem dar o que elas tem, nada mais e nada menos que isso.




