sábado, 8 de janeiro de 2011

Obediência ou Rebeldia?




"Sendo produtos históricos de atividade humana, todos os universos socialmente construídos modificam-se, e a transformação é realizada pelas ações concretas dos seres humanos" -  P. Berger


Toda empresa tem aquele grupinho de funcionários contestadores e meio revolucionários. Eles parecem nunca estar satisfeitos com nada, vivem criticando decisões que a diretoria toma, gostariam que não houvesse tanta burocracia e, principalmente, querem ter LIBERDADE para pensar.

De modo geral, as empresas rotulam pessoas assim com palavras pouco elogiosas: desestabilizadores do ambiete de trabalho ou, simplesmente, terroristas.



"Existem dois jeitos, o certo e o meu que é errado mas é mais rápido"
 Homer Simpson

 
No início de minha carreira, tinha mais ou menos esse perfil. Aos dezoito anos, trabalhava em uma fábrica e, certo dia, a direção decretou que todo mundo teria que passar a usar jalecos de cor cinza.

A hierarquia seria diferenciada pela cor da gola dos jalecos. Chefes teriam gola azul, supervisores gola verde, e assim por diante, até os mais humildes, que teriam gola cor de abóbora. Bastou uma semana para que a nova moda virasse um festival de vaidades e os mais humildes fossem apelidados de "abobrinhas".

Como representante da classe dos "abobrinhas", pendurei no quadro de avisos da fábrica um papel com a seguinte frase: "Se a cor do colarinho fosse sinal de prestígio, o palhaço seria o dono do circo". Tomei minha primeira advertência por escrito, que está guardada com carinho até hoje.




É Punk!
Muitos anos depois, aquela empresa fez uma festa para comemorar seus tantos anos de existência e vários ex-funcionários foram convidados, inclusive eu. Para minha surpresa, recebi uma homenagem. Fiquei ainda mais surpreso quando descobri que outras pessoas que estavam sendo homenageadas eram exatamente aquelas que a empresa não via com bons olhos em tempos passados.

Os terroristas que estavam sempre ameaçados de ir para a rua se não se comportassem.

Agora, essa gente era classificada como criativa e inovadora.

Então, se alguém aí está na marca do penalti porque vive dizendo o que pensa dentro da empresa, tudo é uma simples questão de escolha: estabilidade hoje ou felicidade amanhã. Porque o presente só premia os obedientes. Mas o futuro será sempre grato aos rebeldes.