quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Steve Jobs: 1955-2011


O inverno chegou.

Diante de páginas, cadernos e apostilas, me encontro na penosa tarefa de escrever uma breve homenagem a um dos homens mais importantes para o mundo moderno: Steve Jobs.
Diante da tragédia iminente da morte, todos perecemos, contudo, não paramos sequer para admirar esta grande invenção da vida, muito embora esta questão seja muito complexa para algumas poucas linhas. Minha proposição hoje será de falar que tipo de contribuição Jobs ofereceu com muita categoria e criatividade, ao nosso mundo.
Em breves 56 anos de vida, Steve Jobs – nascido Steven Paul Jobs, em São Francisco, Califórnia, a 26 de fevereiro de 1955 – Pensou, criou e concretizou uma das ideias mais ambiciosas da última revolução que vivenciamos ainda hoje: o computador pessoal como o conhecemos – seria intransigente de minha parte, se comentado fosse, por mim, a concepção de que esta máquina de maravilhas (sem a qual não viveríamos), fosse creditada somente a esta cabeça, é errado; já que é fruto de anos de contribuição de gerações – No entanto Jobs realmente merece o crédito por transformar este trabalho, retido em laboratórios, em algo que o mundo pudesse tocar, sentir. Usar. O apple personal computer (apple II), fabricado no final dos anos 70 possuía uma configuração jurássica, e o controlador de vídeo apresentava 24 linhas com 40 colunas de caracteres, mas é muito claro, este aparelho sem nenhum atrativo (a princípio), operaria o início de uma das maiores mudanças no mundo contemporâneo e seus realizadores: Jobs e Woz seriam as figuras ilustres desta mudança.
Mas de que forma poderíamos ligar este acontecimento, destas vidas singulares, a algo tão maior e quão extensa pode ter sido esta visão de um único homem? Em outras palavras “Como Steve Jobs mudou a minha vida?”, basicamente, todo o ambiente gráfico computacional com o qual se trabalha hoje, deriva de uma fagulha inicial, que foi o Apple personal computer (PC), um vislumbre, de um jovem visionário; o rato (mouse), ferramenta imprescindível a processo acelerado – uma espécie de extensão virtual de nossas próprias mãos, que ao invés de tocarem a abóbada celeste dos dogmas religiosos, tateiam novas possibilidades: novos itens para melhorar a vida do homem, deixar mais extensa e longeva uma vida de descobertas científicas, medicinais – dizer que Steve Jobs é um gênio, ainda é raso demais.
Sua vida não foi em momento algum, a descoberta de apenas alguns itens, restritos somente ao mundo da tecnologia, mas no que tange ao cotidiano, à descoberta de um novo mundo, aberto a um amplo caminho e novíssimas possibilidades. Steve, não foi menos revolucionário, por exemplo, do que Arquitas de Tarento, que no século IV antes de cristo, permitiu-se à possibilidade de conceber o pensamento inicial impulsionando a vontade do homem aos céus, mais tarde: passando a batuta para Da Vinci e posteriormente à Santos Dummont e os irmãos Wright. Jobs se ateve, em terra, no intuito ampliar e digitalizar todo esse conhecimento, para que ele não mais seja um entrave na evolução do homem, nem tampouco vítima do sectarismo de religiões que queimam o que hoje poderia tranquilamente ser o estudo ostensivo de células tronco embrionárias, falamos de talvez quinhentos anos de ciência perdida. Vivenciamos junto com o mundo durante estes breves 56 anos o avanço da tecnologia, renovada a cada pensamento do fundador da Apple. Não conhecemos Einstein ou Darwin, todavia compartilhamos com Steve Jobs seu período histórico de vivência.


quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Modernidade líquida


"Nada do que foi será do mesmo jeito que já foi um dia..."

Caros amigos, desde muito tempo eu venho sentindo que algo está errado no mundo, alguma coisa fora do lugar. Certo dia, em uma aula de psicologia jurídica um aluno me perguntou: "Professor, o que é modernidade líquida?" Naquele momento respondi que não conhecia o termo, mas que iria pesquisar e na próxima aula traria o resultado.

Eu iniciei minha pesquisa e descobri o sociologo Zygmunt Bauman, autor do termo "Modernidade líquida".

Ele começa explicando que a Modernidade, iniciada com os ideais de Liberdade, Fraternidade e Igualdade da Revolução Francesa, acabou desembocando em fases. A mais recente dela, que teria começado por volta dos anos 1960-1970, Bauman chama de "modernidade líquida", pois apresenta como características:  

- derretimento de instituições sólidas (a família tradicional, formada por pai-mãe-filhos, dando cada vez mais lugar a outros modelos, por conta do aumento de divórcios, p.e.);

- fluidez das relações sociais (que Bauman prefere chamar de "conexões", pois muitas vezes as pessoas não se relacionam de verdade, apesar de estarem muito conectadas em inúmeras outras).

Até 1950, p.e., cada homem e mulher tinha um roteiro bem definido de tarefas, um checklist para sua vida:

    "Olha só a felicidade da vida de gado".
  • Estudar;
  • Trabalhar;
  • Casar;
  • Cuidar dos Filhos;
  • Ir a igreja;
  • Pagar impostos;
  • Morrer em paz,



No “antigo” mundo sólido reinava o autoritarismo, a firmeza e a disciplina.
  
Na Modernidade Líquida, (de 1960-70 para cá), não há mais roteiro fixo, pois a sociedade foi desregulamentada no âmbito da vida civil. As instituições se tornaram fluídas. P.e., a Igreja deu lugar a um sem-número de seitas, denominações, renovações, etc.


A família, de modelo único, deu lugar a pluralidade de modelos. Isso sem contar nas mudanças da relação do indivíduo com o mundo do trabalho, e com o Estado. (De um modo geral, todas as instituições se tornaram mais líquidas: fluídas, mutáveis e múltiplas).  

As relações amorosas deixam de ser tão duradouras e tendem a ser mais descartáveis e flexíveis.

Ela, você e seu amigo.















Na minha opinião, no que diz respeito à necessidade (extrema) dos indivíduos desta Modernidade Liquida e Hipermordeninade obterem prazer e satisfazerem os seus desejos, assistimos nos dias de hoje a uma possível inversão da pirâmide de Maslow.

Inversão da pirâmide das motivações humanas.

Tendo como base a percepção de que as necessidades fisiológicas (mais básicas) já estão satisfeitas, procuramos constantemente a realização pessoal, deste modo, o indivíduo (self) visa a satisfação como objectivo primordial.
 
Claro que a Modernidade Líquida é uma tendência, e como tal, gera contra-tendências. Daí a ascensão dos assim chamado neo-conservadores, como os radicais mulçumanos, e os republicanos nos EUA. Mas o jogo social é assim mesmo, cheio de ondas, idas e vindas, acima de tudo, mudanças.  
 






quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Filmes de Vampiros

Antigamente existiam filmes de vampiros legais, hoje em dia...tá uma merda.


















Eu adoro cinema. Sempre gostei, desde muito cedo, de um bom filme de terror.

Atualmente sinto falta dos filmes de vampiros clássicos.

Os vampiros de hoje em dia são afrescalhados, brilham na luz do sol, são vegetarianos e só faltam comer tofu e escutar restart. Toda geração que assistiu Buffy, Angel e Blade, desconhece o mito, acho todos esses filmes atuais um lixo.

O ultimo filme de vampiro que assisti que me remeteu a um bom filme de terror foi "30 dias a noite". Aqueles vampiros estavam mais para zumbis desenfreados do que vampiros clássicos, no entanto, gostei da proposta do filme em modificar a estrutura do personagem transformando a lenda do vampiro em um assassino psicopata-maníaco-galeroso-destruidores de corpos. 

No entanto, hoje eu vou escrever sobre três filmes que assisti na minha mortal existência e gostei:

  •  A hora do espanto (Fright Night, 1985); 
 Um filme muito interessante, a história é bem legal, humor negro e sedução. A história se passa quando um adolescente viciado em um programa de terror se depara com o sobrenatural. Não posso deixar de pensar em psicologia quando me lembro dessa película, existe uma situação em que a mãe do personagem principal (que é desquitada ou algo assim) convida sem saber o vampiro para adentrar em sua casa, a partir de então ele começa a assombrar o rapaz, isso tem cara de complexo de Édipo mal resolvido. Além de uma cena de chifre vampiresco bem legal:




Esse filme serviu de inspiração para vários outros filmes de vampiros. Neste ano (2011),  ele ganhou um remake, espero que tenham feito alguma coisa que preste.

  • A hora do espanto 2 (Fright Night 2, 1987)

     Poxa vida, o que estragou essa foto foi o negão com cara de emo.

















Neste filme, uma sequência do anterior, o personagem principal está de volta com os velhos problemas com vampiros. Dessa vez ele está no meio de uma vingança planejada pela irmã do vampiro sedutor do primeiro filme, interpretada pela atriz Julie Carmen, que além de muito gata é psicoterapeuta. O filme não teve o mesmo sucesso de seu antecessor, mas foi muito elogiado pela crítica. Esse foi o primeiro filme que assisti no cinema sozinho, lá no centro da cidade. Nessa época eu achava que a professora da quarta série era uma vampira.


  • Drácula de Bran Stoker (Dracula, 1992)
Esse filme foi o melhor filme de vampiro que eu já assisti na minha vida mortal. Se você souber o que olhar no filme, você encontra uma vastidão de mensagens, mitos e outras coisas. O filme conta com atores fodas como Gary Oldman, Winona Ryder, Anthony Hopikins, Keanu Reeves (esse aqui nem tanto), Tom Waits, Monica Bellucci e outros. 

O velho monstro que existe em cada um de nós.


 O filme sempre me remete ao sentimento de solidão. Dentro do monstro existe um coração morto.

Vlad Tepes, o Drácula, é um velho espírito errante. Mina, sua amada é a árvore da vida (no filme tem uma cena que ela está de vestido verde, bem significativo). Dentre várias coisas interessantes na época em que foi filmado Drácula a epidemia da AIDS estava em plena acensão, então, o diretor (Francis Ford Coppolla) solicitou que as marcas da mordida do vampiro fossem parecidas com as marcas da sífilis.

Era o inicio do vampirismo visto como doença.

O filme é ótimo.

Não considero um filme de terror, mas sim um filme de amor.

Eu já tomei absinto e vi a fada verde, o duende macabro e o enfermeiro do 28 de agosto.
















A história do Drácula apresenta um amor tão intenso, que pode suplantar o ódio e a  morte, afinal, sangue é vida.






domingo, 11 de setembro de 2011

A idiotice é uma força da natureza...

A Idiotice é uma força da natureza.






















Tudo na vida pode ser planejado, ao menos algumas coisas deveriam ser assim. Seja com uma instituição, um projeto de vida ou até mesmo um ato criminoso.

No entanto, por que é tão difícil planejar e colocar em andamento um projeto?

Eu tenho uma hipótese: "A idiotice é uma força da natureza".

Imagine você, liderando uma equipe de pessoas com ensino superior, trabalhando em um local de alta tecnologia, mas ninguém consegue fazer praticamente nada. Antes de acusarmos o líder ou os participantes do mal fadado grupo ou de verificarmos que tipo de pressupostos básicos estão atuando nessa situação, precisamos compreender que nada pode deter a idiotice.

A Idiotice é um maremoto, um vômito incontrolável, um atentado a razão humana.

Contra a idiotice não há argumentos ou fatos, só existe a sensopercepção, somente ela pode explicar ao idiota o que ele vê. Resumindo, o ser humano desenvolveu nos últimos séculos seu intelecto, sua razão e ao mesmo tempo sua capacidade para o auto-fracasso. Acredito que nossa raça está fadada a desaparecer da face da terra, infelizmente a idiotice está nos destruindo.

Vamos fazer uma análise do que eu chamo de ciclo do caos, uma representação das etapas de um projeto com falhas no planejamento devido a idiotice crônica:
  •  Entusiasmo;

Esse aqui é você achando que tudo vai dar certo no final...














Sem a devida preparação, na fase inicial dos projetos encontraremos o grupo entusiasmado, e todo mundo feliz e sorridente acreditando que dessa vez vai. Só que vem a segunda fase do ciclo que é:
  • Confusão;
O estado confusional ocorre devido a má comunicação entre os membros do grupo. Essa falta de comunicação entre os pares acaba impedindo o avanço do projeto.

"Eu não tô entendendo nada."












  • Desilusão;

Nesse momento as pessoas começam a perceber que entraram numa "roubada". A incerteza sobre o próprio futuro, sobre o que vai acontecer.

  • Procura dos culpados;
Agora a meta é encontrar alguém para ser o "bode preto", o "pé de casco". Esse é o momento em que você saberá quem são seus "amigos" e os outros. 


  • Castigo dos inocentes;
Esse aqui é quando você é colocado no seu lugar.


















A idiotice surge com toda força nessa etapa. Geralmente são as pessoas que mais alertaram para o mal planejamento e péssima estruturação dos projetos e não conseguiram se fazer ouvir, afinal, a verdade é somente a verdade. Dizem que ela é uma pílula dolorosa de se engolir, então por que não destruir quem tem razão?
  • Condecoração dos não-participantes;
"Eu te disse..."


















Como normalmente projetos de grande porte são vitais para a sobrevivência das corporações, eles acabarão sendo revisados totalmente, após vários prejuízos e atrasos, ocorrendo sempre no final a condecoração dos não-participantes, geralmente autoridades que se negaram a participar anteriormente, por não terem reconhecido em tempo hábil que projetos desse porte são complexos.

Concluindo

Se você está passando por um momento desse em sua vida, saiba que ele passará, pois a vida é um grande escorregador onde os anos passam. 

Faça um favor ao mundo.

Não seja mais um idiota.


Marcelo.



domingo, 4 de setembro de 2011

Futuro do pretérito mais que perfeito.

  
Em 1983, dois mil cientistas fizeram previsões sobre o avanço tecnológico para o ano 2000 e 2011. Eles fizeram previsões sobre o trabalho: "...cada vez o homem trabalhará menos e terá mais tempo de ficar com sua família...". Nem preciso escrever que isso foi o maior erro de previsão dos cientistas. Hoje eu falo com minha mulher pelo celular, com minha filha por e-mail e converso com meus colegas pelo facebook, mas ninguém se vê de verdade.


Isso aí é um computador do futuro do passado.

Acho que ninguém imaginou que nossa vida acabaria se tornando cada vez mais virtual. Vivemos um simulacro da realidade.

Ninguém imaginou que em 2011, estaríamos tão próximos uns dos outros virtualmente, no entanto, distantes fisíca e emocionalmente.

Sem dúvida a internet trouxe um monte de inovações, um exemplo disso é a liberdade de expressão que podemos usufruir.    
Enquanto assisto essas previsões do passado, eu penso o quanto é difícil prever alguma coisa nessa vida caótica.


Em 1983, a visão do futuro era otimista, uma humanidade que já teria resolvido os seus principais problemas, ainda estamos muito longe da resposta.
Esse aqui é vc em 2015.
Eu pensei em escrever alguma coisa engraçada para terminar esse textículo, mas estou sem imaginação, deve ser culpa do youtube.


Marcelo



Mudar é preciso...


Vira, vira vira...

Eu, estive envolvido durante um tempo na coordenação de um grupo de humanização na instituição em que trabalho.

Observei nesse tempo que este trabalho é difícil, que durante nossa formação acadêmica fala-se muito em trabalho em equipe, inter, trans e multiprofissional, mas na verdade as coisas não são tão precisas assim.

Não conseguimos realizar a política de humanização. Tentamos, diversas vezes nos reunir, fazer a diferença, mas no final, não obtivemos êxito. Não foi por falta de competência dos membros da equipe não, havia algo no ar, um desejo do inconsciente coletivo de que não fosse assim.

Humanizar é trabalhar com a complexidade ao mesmo tempo com simplicidade. Não dá para fazer um projeto de futuro sem verificar o campo onde ele será semeado.

Se não sabemos para onde queremos ir, qualquer lugar serve.

Não é brinquedo não.
 O espaço e o tempo também devem convergir para que os objetivos do GTH sejam alcançados.

Infelizmente não foi nosso caso. O princípio entropico é muito forte.


Diante de tudo o que escrevi aqui, acabei verificando que eu estava em um monólogo. Discutindo os aspectos do meu desejo sobre uma realidade muito maior do que eu.
  

Então, decidi mudar a direção desse meu barco, que navega errante pelo rio Estige.

Nada melhor do que um feriado de setembro para isso acontecer.

Minha despedida do GTH é essa.


Boa Sorte aos navegantes.


Marcelo Augusto Zacarias

sábado, 3 de setembro de 2011

Empresas que se autodestroem

Aqui está você, tentando escapar do extermínio. 

Existem empresas que destroem a si mesmas aos poucos, mas consistentemente.

Parece que trabalham para diminuir e não para crescer.

É claro que naquele quadrinho em que há a Nossa Missão não está escrito: "Nosso objetivo é ser a empresa que mais encolhe no Brasil". Ao contrário, sempre está escrito que vai ser a maior, a melhor, a mais rápida e a mais eficiente. Na prática, as ações não condizem com as palavras.

Homo homini lupus.
Existem dez sintomas de que uma empresa está caminhando para a autodestruição.

1. Uma dificuldade muito grande para implantar idéias novas.

2. Muito trabalho feito tem que ser refeito, porque no final acaba-se descobrindo que não era bem aquilo.

3. Muitos documentos são produzidos sem clara finalidade. São memorandos, e-mails, relatórios e cópias de relatórios que vão para o arquivo, ou para o lixo, sem ninguém ler.

4. Não é fácil achar alguém que realmente possa tomar uma decisão, um sempre manda falar com o outro.

5. Projetos raramente são implantados na data prevista e não raramente são adiados para uma data indefinida, mas nunca muito próxima.

6. Os funcionários quase nunca conseguem conversar com os superiores, que estão sempre muito ocupados e não podem atender naquele momento.

7. A comunicação é falha. os funcionários não são informados das coisas, descobrem as coisas.

8. A inconsistência  é a regra. Um problema é tratado de um jeito hoje e de outro amanhã.

9. Exemplos de coisas positivas que acontecem são citados de modo negativo, sempre vendo o "lado ruim, perverso da coisa", ninguém é bom o suficiente.

10. Falta de profissionalismo.

Nessas empresas o clima é pesado. Empresas assim, os funcionários passam o dia sentindo uma espécie de desconforto, que ninguém consegue explicar direito. A explicação é que a empresa está caminhando, lentamente, para autodestruição.

Max Gehriger - Clássicos do Mundo Corporativo.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

A grande crise de profissionalismo dos profissionais LTDA.



Série de TV Scrubs: mostra de forma bem interessante as relações de
poder no hospital

Todo mundo já passou por algum local de trabalho onde as relações interpessoais estavam abaladas de alguma maneira.

De forma geral, em um local de trabalho, existem diferentes formações de subjetividade, cultura institucional e história da formação da personalidade de cada trabalhador, gerente e big boss. Sentimentos de aversão ou de simpatia surgem no dia a dia de trabalho. Entretanto, tenho observado nas diversas instituições que trabalhei, pessoas infantilizadas nas suas relações com colegas de trabalho, com dificuldade de aceitar críticas, crises de liderança e tudo isso sempre remetido aquele conceito de que as pessoas no seu local de trabalho são uma família.


Olha só que aparente segurança
 apresenta esse cara, mas na verdade...

Nada mais desastroso para relações profissionais em uma instituição do que se intitular o grupo de trabalho como uma família. Freud, no artigo  recordar, repetir e elaborar de 1914 já escrevia sobre as repetições de situações da infância no mundo adulto. Existem pessoas que cresceram biologicamente, porém, emocionalmente encontram-se barradas lá na infância, compulsivamente repetindo situações de sua vida, entretanto, sem possibilidade de elaborar tal situação, daí a dificuldade de vivenciar situações potencializadoras de sua neurose de base.


...ele só quer a mamãe.

Essa neurose coletiva que somos obrigados a vivenciar nas instituições, potencializa o lado pacional versus o lado profissional. Pessoas deixam de trabalhar em conjunto, fervilham jogos de poder e política, que nada mais representam do que a repetição histórica da grande frustração coletiva da vida em sociedade civilizada: O modelo de família colonial do século XIX.  Que apesar da revolução sexual dos anos 60, ainda está presente no ideário do amazonense. As relações tem que parecer sérias, mas não são. É uma grande simulação que por trás das portas fechadas tudo pode acontecer. Uma verdadeira ilha da fantasia. (nossa isso é velho hein?)


As tecnologias se modificam diariamente, porém as relações humanas não. É necessário tempo para que isso ocorra. Assim, como ainda vivemos um atraso em tudo aqui no Amazonas e no Brasil, as relações interpessoais ainda remetem a estrutura colonial da casa grande e a senzala, daquilo que é para inglês ver, da grande comédia do faz de conta. Quando as pessoas de uma instituição deslocam estes sentimentos infantis, presentes em todos nós, de forma neurótica tende a ocorrer na fatalidade do desencontro. 

O local de trabalho começa a se tornar uma grande problemática, as pessoas criativas sentem-se perseguidas, outros tornam-se big brothers controladores tentando em vão por ordem ao caos estabelecido e não percebem que fazem parte da problemática que buscam em vão sanar.

O processo de modificação de paradigma é micropolítico.

As pessoas só podem dar o que elas tem, nada mais e nada menos que isso.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Sadismo Médico





É de certa forma parte da formação médica aprender a objetificar os pacientes, para que a prática se torne menos intoxicante ao médico, que tem que lidar com doenças e o sofrimento humano no seu dia a dia. A questão da educação médica se depara com o pouco entendimento dos estudantes sobre o que buscam no curso de medicina.
Seriam as glórias passadas associadas à profissão médica?
Há inúmeras gratificações psicológicas inerentes á profissão médica: A medicina é uma área fascinante, de capital importância para a sociedade e, como tal, uma carreira desejada e idealizada pelos jovens. O grau de idealização pode gerar altas expectativas que, não correspondidas, tendem a produzir decepções e frustrações significativas, com repercussões importantes na saúde mental dos estudantes. Além disso, há o caráter altamente ansiogênico do exercício profissional, no qual tratar do adoecer do outro é estar em contato íntimo com este.
Algumas características inerentes à tarefa médica definem, isoladamente ou em seu conjunto, um ambiente profissional cujo colorido básico é formado pelos intensos estímulos emocionais que acompanham o adoecer: O contato intimo e freqüente com a dor e o sofrimento; lidar com pacientes difíceis; queixosos, rebeldes e não aderentes ao tratamento, hostis, reivindicadores, auto-destrutivos, cronicamente deprimidos.
Daí a necessidade de objetificar o doente, para assim afastá-lo de nossos sentimentos no intuito de desempenhar a atividade necessária. No entanto existe uma grande diferença entre o afastamento dito “natural” e do sadismo.
E de onde vem o comportamento sádico na medicina?



O próprio exercício da profissão médica parece ser “um veneno psicológico” para seus profissionais. Uma alta incidência de suicídio, depressão, uso de drogas, distúrbios conjugais, problemas com a sexualidade e disfunções profissionais tem sido apontados na literatura. Muitas das características psicodinâmicas que podem conduzir as pessoas para a carreira médica também as predispõem a desordens emocionais. Algumas características incluem compulsividade, rigidez, controle sobre as emoções, retardo de gratificações e formação de fantasias irrealistas sobre o futuro.
Talvez as demandas por longas horas de estudo e notas suficientemente altas para entrar no curso de medicina sejam apenas satisfeitas por personalidades suficientemente obsessivas e o processo seletivo (vestibular e universidade) na verdade separe indivíduos com estes traços para o exercício da profissão. E como se sabe, obsessão tem a ver com controle. Os pacientes que apresentam-se fora do padrão estabelecido “normal”(paciente bonzinho que aceita tudo, não discute e só obedece), são os fatores que fogem ao controle do médico, que age com agressividade para exprimir sua frustração.
Um estudo recente, de Wear e Skillicorn, publicado no Journal of the association of American Medical Colleges observou um fator interessante na formação médica. Basicamente a pesquisa relata que estudantes que tiveram professores e modelos profissionais com características sádicas tendem a repetir esse comportamento na vida profissional e pessoal.
Concluindo, médicos que engajam constantemente em comportamentos rudes e sádicos não deveriam trabalhar em contato com novos profissionais, para prevenir uma “contaminação” da nova geração de médicos pelos antigos valores. Só com a reclamação por escrito dos diretamente afetados e com reprimendas aos médicos envolvidos pode-se tentar diminuir a epidemia de comportamentos sádicos nos hospitais do país e prevenir que a nova geração de médicos aprenda as más-práticas e o desrespeito ao próximo, tão comum nos Hospitais do SUS.

sábado, 8 de janeiro de 2011

Obediência ou Rebeldia?




"Sendo produtos históricos de atividade humana, todos os universos socialmente construídos modificam-se, e a transformação é realizada pelas ações concretas dos seres humanos" -  P. Berger


Toda empresa tem aquele grupinho de funcionários contestadores e meio revolucionários. Eles parecem nunca estar satisfeitos com nada, vivem criticando decisões que a diretoria toma, gostariam que não houvesse tanta burocracia e, principalmente, querem ter LIBERDADE para pensar.

De modo geral, as empresas rotulam pessoas assim com palavras pouco elogiosas: desestabilizadores do ambiete de trabalho ou, simplesmente, terroristas.



"Existem dois jeitos, o certo e o meu que é errado mas é mais rápido"
 Homer Simpson

 
No início de minha carreira, tinha mais ou menos esse perfil. Aos dezoito anos, trabalhava em uma fábrica e, certo dia, a direção decretou que todo mundo teria que passar a usar jalecos de cor cinza.

A hierarquia seria diferenciada pela cor da gola dos jalecos. Chefes teriam gola azul, supervisores gola verde, e assim por diante, até os mais humildes, que teriam gola cor de abóbora. Bastou uma semana para que a nova moda virasse um festival de vaidades e os mais humildes fossem apelidados de "abobrinhas".

Como representante da classe dos "abobrinhas", pendurei no quadro de avisos da fábrica um papel com a seguinte frase: "Se a cor do colarinho fosse sinal de prestígio, o palhaço seria o dono do circo". Tomei minha primeira advertência por escrito, que está guardada com carinho até hoje.




É Punk!
Muitos anos depois, aquela empresa fez uma festa para comemorar seus tantos anos de existência e vários ex-funcionários foram convidados, inclusive eu. Para minha surpresa, recebi uma homenagem. Fiquei ainda mais surpreso quando descobri que outras pessoas que estavam sendo homenageadas eram exatamente aquelas que a empresa não via com bons olhos em tempos passados.

Os terroristas que estavam sempre ameaçados de ir para a rua se não se comportassem.

Agora, essa gente era classificada como criativa e inovadora.

Então, se alguém aí está na marca do penalti porque vive dizendo o que pensa dentro da empresa, tudo é uma simples questão de escolha: estabilidade hoje ou felicidade amanhã. Porque o presente só premia os obedientes. Mas o futuro será sempre grato aos rebeldes.